E agora, depois ...
Editora 7letras, 2008

João Antonio, o grande contista brasileiro, tinha por hábito dividir os escritores entre os que tinham a alma musical e os demais. Não é mera figura de linguagem. Existe a boa escrita, que junta sujeito, verbo e predicado. E existe a escrita musical, daqueles que sabem conduzir as frases como os músicos conduzem a melodia, com ritmo, com harmonia, ora estendendo-se mais aqui, ora pontuando em frases curtas ali. Não é uma regra objetiva de bem escrever: é arte, intuição e sensibilidade musical. Esta é uma das virtudes de Maria Christina de Andrade Vieira. A outra é transformar temas corriqueiros em exercícios de alma — característica dos cronistas. Finalmente, por baixo da forma, existe o caráter e o dinamismo de uma grande mulher. Conheci Maria Christina em diversas circunstâncias, como a poderosa presidente da Associação Comercial de Curitiba, a provocadora cultural de um dos maiores bancos brasileiros e, depois, a mulher frente ao drama. Em todos os momentos, se via uma figura íntegra, sem o deslumbramento no poder, sem a autopiedade na tragédia. Esse livro é a rara oportunidade de se ler a alma de uma grande mulher através do estilo de uma bela cronista.
Luís Nassif, jornalista 2005