Cidade Estranha
2007/ Editora Tralalá
175 páginas / 20 x 21 cm
ISBN 9788578270698

Maria Christina de Andrade Vieira optou por ser. Inteira, no sentido mais pleno do ser, viaja como as mulheres retratadas por Hopper. Na valise, carrega mais livros e moleschine do que roupas e atavios. Junto, o fio mágico da ficção. Ao buscar “uma outra cidade dentro da cidade”, revela e se revela. E, por caminhar com olhos-de-ver-além, também nos revela. Nos alerta. A nós, habitantes das cidades estranhas. Diante de seu olhar somos todos personagens portadores de um mistério. Ao viajar, pois viaja sempre mesmo sem sair de casa, traz à luz instantes garimpados do cotidiano. A gramatura de suas palavras recolhe, amorosa, desde figuras fortes que se destacam na multidão até a moradora silenciosa, tecelã da miséria, na calçada da metrópole. Atravessa caminhos, cenas, ruas, gentes e nos resgata para um tempo e espaço míticos, onde todas as coisas habitam em essência, a luz dourada da transfiguração. Cidade Estranha nos remete a Ítalo Calvino na fala de Kublai Khan “Ponha-se em viagem. Depois volte para me dizer se a cidade dos meus sonhos existe na realidade.” Maria Christina narra para nos lembrar. Para nos acordar. A cidade que pulsa em sua alma é espelho. Espelho de nossos esquecimentos. Tudo aquilo que pensávamos perdido, ou nunca visto, reaparece com uma aura de eternidade. Mesmo o desconcertante e o feio encontram lugar e sentido ao lado da floresta rica e única. Fazer falar, recuperando ritmo e voz, a curvatura poética que mora em todas as coisas, estranhar cidades e gentes, para reconhecê-las mais adiante em seu desdobrar, é acordar um mundo que de tanto correr perdeu fantasia e liberdade.
Elisabete Tassi Teixeira Editora 7letras, 2008